sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Flores






Paula Segalla diz
eu gosto de fotografar flores.
Laís A. diz
Nossa, eu nunca gostei
Mesmo, meu olhar não serve muito pra isso...
Não consigo enxergar muito bem o que tem de mais numa flor
Paula Segalla diz
ah, sei la
Laís A. diz
Você tá monossilábica ¬¬
Dá um pano pra manga aí, hehehehe
Paula Segalla diz
é que fica dificil explicar
eu sou horrivel com palavras, sempre fui
mas pra explicar uma coisa tão....
como explicar a beleza de uma flor? como explicar o que me comove nelas e me dá vontade de registrar, de tentar guardar a beleza delas?
nenhuma flor que eu já fotografei está viva agora
cada uma delas é única
e embora todas sejam iguais
o que torna uma flor bela?
sabe, é dificil dimensionar e explicar isso
ainda mais pra mim
entao eu fico monissilabica e com bochechas vermelhas
sem saber o que dizer
huahuahauhua


Em homenagem à querida Laís =)

terça-feira, 12 de julho de 2011

Landslide

I took my love and I took it down
I climbed a mountain and I turned around
And I saw my reflection in the snow covered hills
'Till the landslide brought me down

Oh mirror in the sky, what is love?
Can the child within my heart rise above?
Can I sail through the changing ocean tides?
Can I handle the seasons of my life?

Well, I've been afraid of changing
'Cause I've built my life around you
But time makes you bolder
Even children get older
I'm getting older too

Well, I've been afraid of changing
'Cause I, I built my life around you
But time makes you bolder
Children get older
I'm getting older too
I'm getting older too

So, take my love, take it down
Oh climb a mountain and turn around
If you see my reflection in the snow covered hills
Well the landslide will bring you down, down

And if you see my reflection in the snow covered hills
Well maybe the landslide will bring it down
Oh, the landslide will bring it down....

sábado, 18 de junho de 2011

Hoje estou pensando muito, e me impressionando mais ainda, com o quanto a vida é capaz de ser injusta. E há um aspecto em especial que tem tomado minha concentração de maneira quase desconfortável....
Talvez o melhor termo seja "inconveniente". Não. Deveria haver um termo que fizesse a junção de "inconveniente" com "injusto". A vida é inconvenientemente injusta.
Mudar é muito necessário, progredir constantemente é uma questão que defendo muito.... no entanto, é inaceitável que tenhamos de mudar certas características. É inaceitável que tenhamos de mudar traços que definem nossa personalidade, nossa identidade. Nossa essência. Principalmente se formos forçados a mudar algo que não pode ser modificado ou oprimido.... as conseqüências de tais atitudes são devastadoras. Mudar algo que não foi nossa escolha....
Artistas não escolhem nascer artistas. Um grande amigo disse-me, recente e sutilmente, que há uma diferença entre uma pessoa fazer arte e uma pessoa ser artista. Entretanto, se você nasceu artista, há, é claro, a opção de sufocar e desviar essa característica, o que lhe fará alguém infeliz em tempo integral.
Você pode ser alguém criativo e determinado a fazer arte. Ou você pode simplesmente não ser capaz de evitar isso. O que, freqüentemente, parece uma maldição.
Assim como não se opta por ter este ou aquele tipo de cabelo, determinadas cores de pele, diversas caracteristicas físicas, psicológicas ou mesmo sexuais, não se opta por ter a visão e percepção de realidade que um artista tem. Você não escolhe. Pode fingir que escolheu, mentir para si mesmo e perfeitamente permanecer nisso, calculando todos os passos, atitudes, gostos, comportamentos.... mas sua natureza estará sempre lá.
Concluindo, é muito injusto que sejamos forçados a mudar e forjar quem somos de fato apenas por um capricho alheio, ou pela falta de tolerância e capacidade de aceitação das pessoas. É injusto que alguém queira mudar quem eu nasci para ser apenas porque não lhe agrada.
Ainda não estou contente com o que expus aqui. Não consigo evitar algumas influências externas que tentam me desconcentar. Volto mais tarde.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Wish You Were Here


So, so you think you can tell
Heaven from hell
Blue skies from pain
Can you tell a green field
From a cold steel rail
A smile from a veil
Do you think you can tell?
Did they get you to trade
Your heroes for ghosts
Hot ashes for trees
Hot air for a cool breeze
Cold comfort for change
Did you exchange a walk on part in the war
For a lead role in a cage?

How I wish, how I wish you were here
We're just two lost souls swimming in a fishbow
Year after year
Running over the same old ground
What have we found?
The same old fears
Wish you were here....


Ela é freqüentemente executada num sentido errôneo em relação ao significado original. Mas para mim é exatamente o que foi feita para ser.

sábado, 9 de abril de 2011

Free to be.... free.... free to be.... me.


Talvez seja porque estou prestes a fazer 20 anos. Talvez sejam todas as mudanças às quais venho me submetendo. Talvez seja a desilusão que estas trouxeram.
Talvez sejam todos os fatores citados.
Mas tenho me conscientizado muito a respeito de vários fatos em minha vida, freqüentemente de maneira involuntária. Tenho notado o quanto sou ingênua, tola e condescendente. O quanto tenho aceitado que me tratem desta ou daquela maneira por defender um comportamento tolerante, pacífico e gentil. Sempre levei muito a sério as repreensões de minha família ou de professores e outras pessoas consideradas autoridades, e, devido a isso, desenvolvi um sentimento de culpa e autopunição absoluto. E passei a me odiar profundamente, com um vigoroso fanatismo. Fazia certas coisas que.... não sei nem o que pensar sobre isso.
Enfim, passei a me ver como uma pessoa nociva, insuportável, um fardo para a família e uma desgraça para o mundo. Sempre me senti muito culpada e ruim. E por isso, forcei o surgimento de um comportamento altruísta, amistoso e agradável. Alguém tão horrível como eu.... era o mínimo que poderia fazer para compensar a tortura que sou para os outros.
Mas um dia a ficha cai. Um dia você percebe o quanto, desde crianças, temos nosso comportamento e nossa personalidade corrompidos, forçados em determinadas direções.... o quanto nos privam de nossa espontaneidade, naturalidade....
Um dia você percebe que não é a pior pessoa do mundo. E que ninguém, de fato, se preocupa com você. Ninguém faz nada bom sem um interesse, uma segunda intenção. Um dia a natureza egoísta do ser humano se torna muito clara. A parte dolorosa é perceber o quanto você se destruiu (em vários aspectos de maneira aparentemente irreversível), o quanto se anulou, negou seu orgulho e seus pensamentos, pisou em seus próprios problemas e se fez de gentil para ajudar alguém. Por pura culpa, uma culpa que talvez não tenha motivos. Porque achava que sua presença na vida da pessoa era quase um castigo para ela, e que se você pudesse minimizar o estrago.... e por muitos anos.
A parte mais dolorosa é tentar corrigir e repensar tudo. É ver que, repentinamente, você pode não ser a pessoa que achou que fosse todo esse tempo. É tentar se reconstruir da maneira mais autêntica e fiel a quem você REALMENTE é. É começar a se conhecer novamente.
Porque um dia passa a ser necessário parar de dizer "me desculpe" e "sim" para os outros, ou "não" e "eu te odeio" para si mesma.
Um dia eu preciso aprender a dizer "sim" para mim.

É um pequeno, embora muito doloroso e sofrido, alívio.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Mas JÁ?

Cansei de me fingir de formal para mim mesma.

Chega a ser irritante a velocidade com que a vida me dá certas respostas. Embora eu já as tivesse, mas rejeitasse.

Tá tirando com a minha cara ou eu estou mesmo tão errada assim?
A questão não é "o que me falta", mas "não tenho outras opções?".

Pode até ser o que falta. Mas não é o que eu QUERO.

domingo, 23 de janeiro de 2011

But I got nowhere to fly to

Não sei o que há. Sei que me sinto sem personalidade, com meu estilo gravemente corrompido, mas sem deixar de ser a mesma de sempre.
A sensação indescritível de vazio que tem me dominado raramente me pareceu tão bem expressa visualmente: minha cabeça parece com tudo à minha volta e fora dela. A cama caoticamente bagunçada, a janela escancarada para permitir que o vento fresco da praia entre no ambiente, o forte calor, a luz do sol dourada (meio laranja, até) às 7 horas da noite, o gato e os livros espalhados pela cama, o album do Pink Floyd tocando muito alto, a cortina amarrada.... e eu largada na cama, como um cadáver. Imóvel, apenas pensando e sofrendo por isso.
Talvez me sinta corrompida por não me sentir como me sentiria normalmente. E me sinta a mesma pela sensação de que nada mudou (senão para a pior) e permanece exatamente igual ao que era quando eu tinha 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18 anos. E que permanecerá assim mesmo depois que eu completar 20.
É como se tudo voltasse exatamente ao mesmo ponto. Sempre olhando esse mesmo teto, pensando as mesmas coisas. Esperando que a vida comece, que um dia eu acorde e tudo esteja mudando.
Não, não muda.
A vida continuará sendo a eterna e persistente repetição do momento em que eu atraso o despertador mais alguns minutos.
Não me parece justo que eu me sinta assim agora, quando deveria me sentir completamente diferente.
Eu deveria estar muito contente. Minha mãe sempre me disse isso. Tenho uma vida muito boa, respiro ar puro e durmo ouvindo o som do mar, tenho a minha casa, tenho uma família, tenho oportunidades boas, estudei em excelentes escolas, nunca me faltou nada, e eu jamais precisei trabalhar para isso. Aliás, sempre me proibiram de trabalhar. Tenho bons discos, bons livros, boa saúde, paredes forradas de quadros meus, um violão bom, um cachorro bonito de coleira cor-de-rosa que posso levar para caminhar na praia, tenho ótimos amigos, tenho cultura e não falo apenas o idioma de meu país. Há comida na minha cozinha, energia nas minhas tomadas e água nas minhas torneiras. Tenho uma bicicleta confortável, com a qual atravesso a cidade quase inteira toda semana; tenho roupas para vestir, vários tipos de colares, brincos e anéis enormes, e também toda a maquiagem que poderia usar.
Conheço pessoas legais e importantes, que gostam de mim e me tratam bem. Tenho senso crítico e atitudes equilibradas. Não tenho vícios e minha alimentação é excelente. Tenho liberdade, aliás, de me alimentar da maneira que quiser; tenho belas árvores frutíferas em meu quintal, e todos os dias colho frutas frescas para meu suco do desjejum. Também tenho a liberdade de ter ou não um deus e uma crença, sem que alguém me censure por isso. Falo e escrevo com clareza, sei me expressar bem e me virar sozinha se precisar. E tenho com quem contar quando isso não for o bastante.
Só queria entender porque me sinto tão infeliz e cansada.

sábado, 15 de janeiro de 2011

This is ourselves under pressure

Dois dias consecutivos ouvindo todos os albuns do Queen. É sempre muito bom poder "voltar às origens" depois de meses sem ouvi-los.... mas agora as circunstâncias são totalmente outras.

.... A verdade é que, depois de todo esse tempo, e no meu estado de exaustão física, emocional e intelectual, ouvir as músicas da banda da minha vida é como se sentir aconchegantemente abraçado ao voltar para casa. Com a diferença de que eu já sei exatamente como é esse abraço tão aguardado e acolhedor. E agora ele está presente em cada voz, cada palavra, cada nota....

"But now you're facing complications
'Cos into every life a little rain must fall"
Ainda bem que tenho vocês para trazer "a little bit of sunshine to my life", não é?

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Uma das coisas mais legais sobre a vida é que, em vários aspectos, sejam eles reais ou virtuais, a gente sempre acha um botão "editar"....

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Para a querida Laís

Tendo em vista as imensas dificuldades que enfrento, freqüentemente sem sucesso, para comentar em seu blog, resolvi fazer meu comentário por aqui.
Me lembro de quando a conheci: você apareceu em meu orkut, sob o nome "Laís outside the wall". Nessa época eu já conhecia a história do album, e cheguei a pensar se você apenas gostava da musica ou se também enfrentava seu próprio muro. Pelas postagens do seu blog, que ja acompanhava há algum tempo, notei, faz uns meses, que as coisas não andavam bem contigo, mas demorei para ver a gravidade disso.
Li seu texto mais recente ontem à noite, e passei muito tempo pensando no que lhe dizer. Sei que você não estava pedindo minha opinião, mas eu quero lhe dizer isso.
Laís, pare de guardar rancores, pare de pedir desculpas por seus "erros" (com aspas, sim, pois muitas vezes nos julgamos criminosos por nossas atitudes, quando, na verdade, elas não foram tão terríveis assim). Aceite. Por mais que doa. E compreenda que é possível estar bem consigo mesma sem sorrir para todo mundo, sem estar feliz todo o tempo. Seja lúcida, forte. E não perca a esperança. Claro que é mais fácil se frustrar, principalmente por tudo parecer sempre irreal ou distante dos nossos sonhos, mas a esperança é exatamente isso: aquela gota quase invisível de oportunidade, pela qual somos corajosos e implacáveis.

Keep going until dawn, how many times must another line be drawn
We could be down and gone but we hold on

Lembra? Aliás, ninguém melhor que o Neil para dizer essas coisas.
Eu não sei o que houve durante seu passado (e nem você o que houve no meu), mas posso lhe garantir que não é o bastante para deteriorar sua vida dessa maneira. A menos que você permita. Todos os dias você tem a chance de superar tudo, e é preciso ter muita coragem (e mesmo um pouco de sangue-de-barata, claro) para pisar na sua própria mágoa, na desilusão com a vida e o mundo. Vestir "máscaras" para si mesma, por mais que isso lhe incomode. E só você pode fazer isso, you know. E também sabe que tem ao seu lado muita gente disposta a te motivar a ser forte. Nunca a te cobrar. Minha mãe me diz, às vezes, que é para isso que todos os dias começam e terminam: cada novo dia é uma nova chance, e a qualquer momento você pode se cansar daquela música e virar o disco.
Eu desejo sinceramente que você encontre, em si mesma ou em alguma coisa, a motivação maior de sua vida (alguns a encontram na família; outros, na religião; e há ainda a arte - o que explica muita coisa). Só você vai saber o que é, e como achá-la. Enquanto isso, continue viva! Corra, chore, respire, lute - você é uma pessoa com muito potencial para fazer coisas maravilhosas pelo mundo, e é por isso que acredito tanto em você e quero vê-la bem. Não se desperdice em frustração, pensando que o mundo está perdido. Bem, ele está. Mas a sua vida ainda não, e perceba que há muita gente boa por aí. E várias delas estão à sua volta. Não fique "waiting for the winds of change to sweep the clouds away", e comece a soprá-las. Um sopro pode parecer muito pouco, mas já move o ar. Por favor, por mim; não desista. É claro que não existe uma "cura", e você ainda vai se sentir muito triste às vezes, mas vai se acostumar e ser mais forte para se reerguer. E quando não puder, estaremos aqui. Mesmo à distância, pensando muito em ti e desejando que supere o pior. Porque faz parte do amadurecimento do ser humano (ao menos dos que têm cérebro e bom senso, como você).

And everyday is the right day

E eu espero que hoje seja o dia certo para você =)

domingo, 31 de outubro de 2010

O começo.

Novembro começará dentro de alguns minutos e decidi que quero deixar que fiquem em outubro todos os recentimentos que causei a mim mesma, principalmente por toda a mágoa que trouxe a algumas pessoas, e pelos erros que cometi com outras.
Tudo o que quero é paz. Para mim e todas as pessoas maravilhosas que estão à minha volta, que nunca me abandonam quando preciso. Mesmo que eu mereça.
Que bom que vocês existem! Desejo ser a amiga que vocês merecem ter.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Clausura, Exílio, Refúgio.


Após muito tempo de prisão, a gaiola torna-se um lugar confortável.
A liberdade vive no pequeno pássaro que está preso na gaiola, num apartamento do andar de cima. Ele só canta durante a madrugada. E, quando canta, ninguém é tão livre quanto ele.


P.S. do dia 10 de junho de 2011: Me ocorreu agora o significado e a representatividade do termo "ostracismo", aplicado não apenas a contextos históricos ou políticos, mas cotidianos. E também o quanto, de certa forma, essa postagem e suas respectivas metáforas (que apesar de serem metáforas, não são fictícias!) continuam extremamente pertinentes em diversos aspectos. Qual é meu problema?

domingo, 5 de setembro de 2010

V



"O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio."

Alberto Caeiro.

domingo, 15 de agosto de 2010

Take it as it comes


Porque existe a pessoa dos sonhos e existe a pessoa do real.
E, para mim, o Jim simboliza a pessoa do real. Por mais que a minha pessoa do real seja distante e irreal, ou que a minha pessoa dos sonhos seja real e próxima. Só que eu ainda estou muito dividida entre os dois mundos.... Embora hoje eu tenha acordado mais voltada para a realidade do que de costume....

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Hoje




"Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem, cada um como é."

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Ausência


Meu pai chegou por volta das seis da manhã em casa. Alguns minutos antes, havia me ligado: "Espere pelo pior". Entrou no quarto. "Pode levantar". "Por quê?"

Entrei na casa. Sobre a mesa de jantar, inúmeras caixas de remédio. Quatro de "tarja preta". Um copo com água pela metade, várias embalagens de remédio abertas, algumas sobre a mesa e outras espalhadas dentro de uma mala. Perto do microondas, uma revista desatualizada, cuja principal matéria era noticiada na capa: "O futuro que você vai viver". Tão irônica coincidência. Fui para o quarto, a cama desarrumada. Meu pai fazia os telefonemas, perto da mesa da cozinha. Minha mãe procurava na agenda dele os números de familiares que receberiam o telefonema.

A vida é uma coisa tão frágil, tão delicada. Escorrega pelas mãos da gente, como grãos de areia. Passa rápido e podemos acabar com ela tão fácil. E quando vai assim, inesperadamente, é um choque.... a tal da "ficha" não cai. E é muito doloroso.
Só me resta dizer o que nunca disse: Eu o adoro, vou morrer de saudades. O cara que fazia piadinhas nos enterros, na hora do jantar, que tinha uma bicicleta que ele pintou num azul ridículo, que me emprestava livros (principalmente o super Aurélio dele), que esclarecia minhas dúvidas sobre o cristianismo, a ditadura militar.... o cara de quem meu pai e eu herdamos o cabelo preto. O cara de quem herdei o hábito de ler, e que me deu meu primeiro livro na vida. Um cara que me ensinou MUITO, e que poderia ter ensinado ainda mais. Mas parece que ele concluiu que já era o bastante.

As palavras passam flutuando pela minha mente, e esse ar gelado de fim de outono parece fazê-las sumirem. A tranqüilidade não pode ser adquirida com remédios, o sono não pode vir com remédios. Mas eles podem tirá-las de nós. O que fica? A dor, a lembrança.... e a lição de que a vida pode sair voando com o vento frio de junho.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Going Back

"I think I’m going back....
To the things I learnt so well in my youth
I think I’m returning to
Those days when I was young enough to know the truth
Now there are no games
To only pass the time
No more colouring books
No christmas bells to chime
But thinking young and growing older is no sin
And I can’t play the game of life to win

I can recall a time
When I wasn’t ashamed to reach out to a friend
And now I think I’ve got
A lot more than just my toys to lend
Now there’s more to do
Than watch my sailboat glide
And every day can be
My magic carpet ride
And I can play hide and seek with my fears
And live my days instead of counting my years

Then everyone debates
The true reality
I’d rather see the world
The way it used to be
A little bit of freedom’s all we lack
So catch me if you can....
I’m going back...."

Tudo bem. Eu havia prometido a mim mesma, quando dei início a este bloco virtual de anotações muito reais, que não escreveria nada relacionado ao Queen. Afinal, eles já estão fortemente incrustados na minha mente e eu diria que até em meu sangue, além do título, do pseudônimo e do endereço desta página serem nomes de músicas deles. O problema é que essa canção meio que "caiu do céu", hoje, e tanto a letra quanto a versão que me encantou coincidiram com minha vida no momento, assim como as poucas músicas que já estão escritas aqui, sem contar que eu ando muito envolvida com eles, aquela coisa "cósmica" (só para combinar com o contexto) e que se tornou muito real. Hoje vivi e contei uma nostalgia muito doce, algo que me fez realmente bem.... algo que, assim como em uma canção do Queen me faz constatar que "the bad things in life were so few/these days are all gone now but some things remain/ when I look, and I find - no change".
E eu estou voltando, independentemente do que voltar signifique.

domingo, 18 de janeiro de 2009

O mundo é um moinho


"Ainda é cedo, amor....
Mal começaste a conhecer a vida,
Já anuncias a hora da partida,
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar....

Preste atenção, querida....
Embora eu saiba que estás resolvida,
Em cada esquina cai um pouco a tua vida,
Em pouco tempo não serás mais o que és....

Ouça-me bem, amor....
Preste atenção, o mundo é um moinho!
Vai triturar seus sonhos tão mesquinhos,
Vai reduzir as ilusões a pó....

Preste atenção, querida....
Em cada amor tu herdarás só o cinismo,
Quando notares estás à beira do abismo....
Abismo que cavastes com teus pés...."

(Cartola. Mas não há quem dê tanto significado a ela senão Cazuza.)


sábado, 10 de janeiro de 2009

Todo o céu

Os olhos, assim como as mãos, são sempre as primeiras coisas que me chamam a atenção nas pessoas, e até em mim mesma. Mas as mãos são assunto para outro dia, hoje quero falar de olhos, ultimamente eles não têm saído de meu pensamento. Detesto ver meu reflexo em espelhos, mas nunca os evito para poder ver meus olhos, sempre com uma pesada maquiagem contornando. Um exagero, mas eu não gosto de ficar sem ela. Não me sinto uma imagem fiel à pessoa que sou sem a pintura preta, e, quando a apago, não me reconheço mais. Já se tornou parte de mim. Tentei e ainda tento inúmeras vezes passar muitos dias sem ela, mas meu olhar é apagado, devido à cor da íris. Há sempre tanta coisa se passando em minha mente e no mundo que a cerca! Tenho sempre os olhos focados nisso, mas, mesmo assim, eles parecem tão pouco concentrados, tão vazios. Modéstia à parte, eles não são. Gosto de fazer com que pareçam tão vivos quanto realmente são. É uma imagem que choca, mas faz com que as pessoas percebam a presença deles e o que representam, o que fazem.
Gosto de olhos em geral. Bem dizem que são a janela da alma, dá para conhecer perfeitamente alguém através dos olhos. E ah, não adianta dizer que exista "olhar misterioso". Às vezes apenas não entendemos tudo o que se passa por trás deles, mas eles sempre dizem tudo. São tão expressivos. Alguns parecem estrelas, e eu adoro admirá-las, me perco dentro de alguns olhares.... É um paradoxo, mas preciso que entendam isso.... preciso que saibam que meus olhos guardam muito, agem muito.... mas nunca que os conheçam o bastante para saber quem está atrás deles. Não é fuga, talvez uma imparcialidade. Não é necessário me conhecer.

Observo os olhos das pessoas a fundo, mas rápido o suficiente para que os meus não sejam notados.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Adiante

"Eu quase posso falar
A minha vida é que grita
Emprenha e se reproduz
Na velocidade da luz
A cor do sol me compõe
O mar azul me dissolve
A equação me propõe
Computador me resolve", como já diziam Os Mutantes.... coisa de uns 40 anos atrás.
O progresso é feio, muito feio. E é só o que eu tenho a dizer.