sábado, 9 de abril de 2011

Free to be.... free.... free to be.... me.


Talvez seja porque estou prestes a fazer 20 anos. Talvez sejam todas as mudanças às quais venho me submetendo. Talvez seja a desilusão que estas trouxeram.
Talvez sejam todos os fatores citados.
Mas tenho me conscientizado muito a respeito de vários fatos em minha vida, freqüentemente de maneira involuntária. Tenho notado o quanto sou ingênua, tola e condescendente. O quanto tenho aceitado que me tratem desta ou daquela maneira por defender um comportamento tolerante, pacífico e gentil. Sempre levei muito a sério as repreensões de minha família ou de professores e outras pessoas consideradas autoridades, e, devido a isso, desenvolvi um sentimento de culpa e autopunição absoluto. E passei a me odiar profundamente, com um vigoroso fanatismo. Fazia certas coisas que.... não sei nem o que pensar sobre isso.
Enfim, passei a me ver como uma pessoa nociva, insuportável, um fardo para a família e uma desgraça para o mundo. Sempre me senti muito culpada e ruim. E por isso, forcei o surgimento de um comportamento altruísta, amistoso e agradável. Alguém tão horrível como eu.... era o mínimo que poderia fazer para compensar a tortura que sou para os outros.
Mas um dia a ficha cai. Um dia você percebe o quanto, desde crianças, temos nosso comportamento e nossa personalidade corrompidos, forçados em determinadas direções.... o quanto nos privam de nossa espontaneidade, naturalidade....
Um dia você percebe que não é a pior pessoa do mundo. E que ninguém, de fato, se preocupa com você. Ninguém faz nada bom sem um interesse, uma segunda intenção. Um dia a natureza egoísta do ser humano se torna muito clara. A parte dolorosa é perceber o quanto você se destruiu (em vários aspectos de maneira aparentemente irreversível), o quanto se anulou, negou seu orgulho e seus pensamentos, pisou em seus próprios problemas e se fez de gentil para ajudar alguém. Por pura culpa, uma culpa que talvez não tenha motivos. Porque achava que sua presença na vida da pessoa era quase um castigo para ela, e que se você pudesse minimizar o estrago.... e por muitos anos.
A parte mais dolorosa é tentar corrigir e repensar tudo. É ver que, repentinamente, você pode não ser a pessoa que achou que fosse todo esse tempo. É tentar se reconstruir da maneira mais autêntica e fiel a quem você REALMENTE é. É começar a se conhecer novamente.
Porque um dia passa a ser necessário parar de dizer "me desculpe" e "sim" para os outros, ou "não" e "eu te odeio" para si mesma.
Um dia eu preciso aprender a dizer "sim" para mim.

É um pequeno, embora muito doloroso e sofrido, alívio.