segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Uma das coisas mais legais sobre a vida é que, em vários aspectos, sejam eles reais ou virtuais, a gente sempre acha um botão "editar"....

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Para a querida Laís

Tendo em vista as imensas dificuldades que enfrento, freqüentemente sem sucesso, para comentar em seu blog, resolvi fazer meu comentário por aqui.
Me lembro de quando a conheci: você apareceu em meu orkut, sob o nome "Laís outside the wall". Nessa época eu já conhecia a história do album, e cheguei a pensar se você apenas gostava da musica ou se também enfrentava seu próprio muro. Pelas postagens do seu blog, que ja acompanhava há algum tempo, notei, faz uns meses, que as coisas não andavam bem contigo, mas demorei para ver a gravidade disso.
Li seu texto mais recente ontem à noite, e passei muito tempo pensando no que lhe dizer. Sei que você não estava pedindo minha opinião, mas eu quero lhe dizer isso.
Laís, pare de guardar rancores, pare de pedir desculpas por seus "erros" (com aspas, sim, pois muitas vezes nos julgamos criminosos por nossas atitudes, quando, na verdade, elas não foram tão terríveis assim). Aceite. Por mais que doa. E compreenda que é possível estar bem consigo mesma sem sorrir para todo mundo, sem estar feliz todo o tempo. Seja lúcida, forte. E não perca a esperança. Claro que é mais fácil se frustrar, principalmente por tudo parecer sempre irreal ou distante dos nossos sonhos, mas a esperança é exatamente isso: aquela gota quase invisível de oportunidade, pela qual somos corajosos e implacáveis.

Keep going until dawn, how many times must another line be drawn
We could be down and gone but we hold on

Lembra? Aliás, ninguém melhor que o Neil para dizer essas coisas.
Eu não sei o que houve durante seu passado (e nem você o que houve no meu), mas posso lhe garantir que não é o bastante para deteriorar sua vida dessa maneira. A menos que você permita. Todos os dias você tem a chance de superar tudo, e é preciso ter muita coragem (e mesmo um pouco de sangue-de-barata, claro) para pisar na sua própria mágoa, na desilusão com a vida e o mundo. Vestir "máscaras" para si mesma, por mais que isso lhe incomode. E só você pode fazer isso, you know. E também sabe que tem ao seu lado muita gente disposta a te motivar a ser forte. Nunca a te cobrar. Minha mãe me diz, às vezes, que é para isso que todos os dias começam e terminam: cada novo dia é uma nova chance, e a qualquer momento você pode se cansar daquela música e virar o disco.
Eu desejo sinceramente que você encontre, em si mesma ou em alguma coisa, a motivação maior de sua vida (alguns a encontram na família; outros, na religião; e há ainda a arte - o que explica muita coisa). Só você vai saber o que é, e como achá-la. Enquanto isso, continue viva! Corra, chore, respire, lute - você é uma pessoa com muito potencial para fazer coisas maravilhosas pelo mundo, e é por isso que acredito tanto em você e quero vê-la bem. Não se desperdice em frustração, pensando que o mundo está perdido. Bem, ele está. Mas a sua vida ainda não, e perceba que há muita gente boa por aí. E várias delas estão à sua volta. Não fique "waiting for the winds of change to sweep the clouds away", e comece a soprá-las. Um sopro pode parecer muito pouco, mas já move o ar. Por favor, por mim; não desista. É claro que não existe uma "cura", e você ainda vai se sentir muito triste às vezes, mas vai se acostumar e ser mais forte para se reerguer. E quando não puder, estaremos aqui. Mesmo à distância, pensando muito em ti e desejando que supere o pior. Porque faz parte do amadurecimento do ser humano (ao menos dos que têm cérebro e bom senso, como você).

And everyday is the right day

E eu espero que hoje seja o dia certo para você =)

domingo, 31 de outubro de 2010

O começo.

Novembro começará dentro de alguns minutos e decidi que quero deixar que fiquem em outubro todos os recentimentos que causei a mim mesma, principalmente por toda a mágoa que trouxe a algumas pessoas, e pelos erros que cometi com outras.
Tudo o que quero é paz. Para mim e todas as pessoas maravilhosas que estão à minha volta, que nunca me abandonam quando preciso. Mesmo que eu mereça.
Que bom que vocês existem! Desejo ser a amiga que vocês merecem ter.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Clausura, Exílio, Refúgio.


Após muito tempo de prisão, a gaiola torna-se um lugar confortável.
A liberdade vive no pequeno pássaro que está preso na gaiola, num apartamento do andar de cima. Ele só canta durante a madrugada. E, quando canta, ninguém é tão livre quanto ele.


P.S. do dia 10 de junho de 2011: Me ocorreu agora o significado e a representatividade do termo "ostracismo", aplicado não apenas a contextos históricos ou políticos, mas cotidianos. E também o quanto, de certa forma, essa postagem e suas respectivas metáforas (que apesar de serem metáforas, não são fictícias!) continuam extremamente pertinentes em diversos aspectos. Qual é meu problema?

domingo, 5 de setembro de 2010

V



"O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio."

Alberto Caeiro.

domingo, 15 de agosto de 2010

Take it as it comes


Porque existe a pessoa dos sonhos e existe a pessoa do real.
E, para mim, o Jim simboliza a pessoa do real. Por mais que a minha pessoa do real seja distante e irreal, ou que a minha pessoa dos sonhos seja real e próxima. Só que eu ainda estou muito dividida entre os dois mundos.... Embora hoje eu tenha acordado mais voltada para a realidade do que de costume....

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Hoje




"Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem, cada um como é."

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Ausência


Meu pai chegou por volta das seis da manhã em casa. Alguns minutos antes, havia me ligado: "Espere pelo pior". Entrou no quarto. "Pode levantar". "Por quê?"

Entrei na casa. Sobre a mesa de jantar, inúmeras caixas de remédio. Quatro de "tarja preta". Um copo com água pela metade, várias embalagens de remédio abertas, algumas sobre a mesa e outras espalhadas dentro de uma mala. Perto do microondas, uma revista desatualizada, cuja principal matéria era noticiada na capa: "O futuro que você vai viver". Tão irônica coincidência. Fui para o quarto, a cama desarrumada. Meu pai fazia os telefonemas, perto da mesa da cozinha. Minha mãe procurava na agenda dele os números de familiares que receberiam o telefonema.

A vida é uma coisa tão frágil, tão delicada. Escorrega pelas mãos da gente, como grãos de areia. Passa rápido e podemos acabar com ela tão fácil. E quando vai assim, inesperadamente, é um choque.... a tal da "ficha" não cai. E é muito doloroso.
Só me resta dizer o que nunca disse: Eu o adoro, vou morrer de saudades. O cara que fazia piadinhas nos enterros, na hora do jantar, que tinha uma bicicleta que ele pintou num azul ridículo, que me emprestava livros (principalmente o super Aurélio dele), que esclarecia minhas dúvidas sobre o cristianismo, a ditadura militar.... o cara de quem meu pai e eu herdamos o cabelo preto. O cara de quem herdei o hábito de ler, e que me deu meu primeiro livro na vida. Um cara que me ensinou MUITO, e que poderia ter ensinado ainda mais. Mas parece que ele concluiu que já era o bastante.

As palavras passam flutuando pela minha mente, e esse ar gelado de fim de outono parece fazê-las sumirem. A tranqüilidade não pode ser adquirida com remédios, o sono não pode vir com remédios. Mas eles podem tirá-las de nós. O que fica? A dor, a lembrança.... e a lição de que a vida pode sair voando com o vento frio de junho.