Cansei de me fingir de formal para mim mesma.
Chega a ser irritante a velocidade com que a vida me dá certas respostas. Embora eu já as tivesse, mas rejeitasse.
Tá tirando com a minha cara ou eu estou mesmo tão errada assim?
A questão não é "o que me falta", mas "não tenho outras opções?".
Pode até ser o que falta. Mas não é o que eu QUERO.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
domingo, 23 de janeiro de 2011
But I got nowhere to fly to
Não sei o que há. Sei que me sinto sem personalidade, com meu estilo gravemente corrompido, mas sem deixar de ser a mesma de sempre.
A sensação indescritível de vazio que tem me dominado raramente me pareceu tão bem expressa visualmente: minha cabeça parece com tudo à minha volta e fora dela. A cama caoticamente bagunçada, a janela escancarada para permitir que o vento fresco da praia entre no ambiente, o forte calor, a luz do sol dourada (meio laranja, até) às 7 horas da noite, o gato e os livros espalhados pela cama, o album do Pink Floyd tocando muito alto, a cortina amarrada.... e eu largada na cama, como um cadáver. Imóvel, apenas pensando e sofrendo por isso.
Talvez me sinta corrompida por não me sentir como me sentiria normalmente. E me sinta a mesma pela sensação de que nada mudou (senão para a pior) e permanece exatamente igual ao que era quando eu tinha 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18 anos. E que permanecerá assim mesmo depois que eu completar 20.
É como se tudo voltasse exatamente ao mesmo ponto. Sempre olhando esse mesmo teto, pensando as mesmas coisas. Esperando que a vida comece, que um dia eu acorde e tudo esteja mudando.
Não, não muda.
A vida continuará sendo a eterna e persistente repetição do momento em que eu atraso o despertador mais alguns minutos.
Não me parece justo que eu me sinta assim agora, quando deveria me sentir completamente diferente.
Eu deveria estar muito contente. Minha mãe sempre me disse isso. Tenho uma vida muito boa, respiro ar puro e durmo ouvindo o som do mar, tenho a minha casa, tenho uma família, tenho oportunidades boas, estudei em excelentes escolas, nunca me faltou nada, e eu jamais precisei trabalhar para isso. Aliás, sempre me proibiram de trabalhar. Tenho bons discos, bons livros, boa saúde, paredes forradas de quadros meus, um violão bom, um cachorro bonito de coleira cor-de-rosa que posso levar para caminhar na praia, tenho ótimos amigos, tenho cultura e não falo apenas o idioma de meu país. Há comida na minha cozinha, energia nas minhas tomadas e água nas minhas torneiras. Tenho uma bicicleta confortável, com a qual atravesso a cidade quase inteira toda semana; tenho roupas para vestir, vários tipos de colares, brincos e anéis enormes, e também toda a maquiagem que poderia usar.
Conheço pessoas legais e importantes, que gostam de mim e me tratam bem. Tenho senso crítico e atitudes equilibradas. Não tenho vícios e minha alimentação é excelente. Tenho liberdade, aliás, de me alimentar da maneira que quiser; tenho belas árvores frutíferas em meu quintal, e todos os dias colho frutas frescas para meu suco do desjejum. Também tenho a liberdade de ter ou não um deus e uma crença, sem que alguém me censure por isso. Falo e escrevo com clareza, sei me expressar bem e me virar sozinha se precisar. E tenho com quem contar quando isso não for o bastante.
Só queria entender porque me sinto tão infeliz e cansada.
A sensação indescritível de vazio que tem me dominado raramente me pareceu tão bem expressa visualmente: minha cabeça parece com tudo à minha volta e fora dela. A cama caoticamente bagunçada, a janela escancarada para permitir que o vento fresco da praia entre no ambiente, o forte calor, a luz do sol dourada (meio laranja, até) às 7 horas da noite, o gato e os livros espalhados pela cama, o album do Pink Floyd tocando muito alto, a cortina amarrada.... e eu largada na cama, como um cadáver. Imóvel, apenas pensando e sofrendo por isso.
Talvez me sinta corrompida por não me sentir como me sentiria normalmente. E me sinta a mesma pela sensação de que nada mudou (senão para a pior) e permanece exatamente igual ao que era quando eu tinha 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18 anos. E que permanecerá assim mesmo depois que eu completar 20.
É como se tudo voltasse exatamente ao mesmo ponto. Sempre olhando esse mesmo teto, pensando as mesmas coisas. Esperando que a vida comece, que um dia eu acorde e tudo esteja mudando.
Não, não muda.
A vida continuará sendo a eterna e persistente repetição do momento em que eu atraso o despertador mais alguns minutos.
Não me parece justo que eu me sinta assim agora, quando deveria me sentir completamente diferente.
Eu deveria estar muito contente. Minha mãe sempre me disse isso. Tenho uma vida muito boa, respiro ar puro e durmo ouvindo o som do mar, tenho a minha casa, tenho uma família, tenho oportunidades boas, estudei em excelentes escolas, nunca me faltou nada, e eu jamais precisei trabalhar para isso. Aliás, sempre me proibiram de trabalhar. Tenho bons discos, bons livros, boa saúde, paredes forradas de quadros meus, um violão bom, um cachorro bonito de coleira cor-de-rosa que posso levar para caminhar na praia, tenho ótimos amigos, tenho cultura e não falo apenas o idioma de meu país. Há comida na minha cozinha, energia nas minhas tomadas e água nas minhas torneiras. Tenho uma bicicleta confortável, com a qual atravesso a cidade quase inteira toda semana; tenho roupas para vestir, vários tipos de colares, brincos e anéis enormes, e também toda a maquiagem que poderia usar.
Conheço pessoas legais e importantes, que gostam de mim e me tratam bem. Tenho senso crítico e atitudes equilibradas. Não tenho vícios e minha alimentação é excelente. Tenho liberdade, aliás, de me alimentar da maneira que quiser; tenho belas árvores frutíferas em meu quintal, e todos os dias colho frutas frescas para meu suco do desjejum. Também tenho a liberdade de ter ou não um deus e uma crença, sem que alguém me censure por isso. Falo e escrevo com clareza, sei me expressar bem e me virar sozinha se precisar. E tenho com quem contar quando isso não for o bastante.
Só queria entender porque me sinto tão infeliz e cansada.
sábado, 15 de janeiro de 2011
This is ourselves under pressure
Dois dias consecutivos ouvindo todos os albuns do Queen. É sempre muito bom poder "voltar às origens" depois de meses sem ouvi-los.... mas agora as circunstâncias são totalmente outras.
.... A verdade é que, depois de todo esse tempo, e no meu estado de exaustão física, emocional e intelectual, ouvir as músicas da banda da minha vida é como se sentir aconchegantemente abraçado ao voltar para casa. Com a diferença de que eu já sei exatamente como é esse abraço tão aguardado e acolhedor. E agora ele está presente em cada voz, cada palavra, cada nota....
"But now you're facing complications
'Cos into every life a little rain must fall"
Ainda bem que tenho vocês para trazer "a little bit of sunshine to my life", não é?
.... A verdade é que, depois de todo esse tempo, e no meu estado de exaustão física, emocional e intelectual, ouvir as músicas da banda da minha vida é como se sentir aconchegantemente abraçado ao voltar para casa. Com a diferença de que eu já sei exatamente como é esse abraço tão aguardado e acolhedor. E agora ele está presente em cada voz, cada palavra, cada nota....
"But now you're facing complications
'Cos into every life a little rain must fall"
Ainda bem que tenho vocês para trazer "a little bit of sunshine to my life", não é?
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