
Os olhos, assim como as mãos, são sempre as primeiras coisas que me chamam a atenção nas pessoas, e até em mim mesma. Mas as mãos são assunto para outro dia, hoje quero falar de olhos, ultimamente eles não têm saído de meu pensamento. Detesto ver meu reflexo em espelhos, mas nunca os evito para poder ver meus olhos, sempre com uma pesada maquiagem contornando. Um exagero, mas eu não gosto de ficar sem ela. Não me sinto uma imagem fiel à pessoa que sou sem a pintura preta, e, quando a apago, não me reconheço mais. Já se tornou parte de mim. Tentei e ainda tento inúmeras vezes passar muitos dias sem ela, mas meu olhar é apagado, devido à cor da íris. Há sempre tanta coisa se passando em minha mente e no mundo que a cerca! Tenho sempre os olhos focados nisso, mas, mesmo assim, eles parecem tão pouco concentrados, tão vazios. Modéstia à parte, eles não são. Gosto de fazer com que pareçam tão vivos quanto realmente são. É uma imagem que choca, mas faz com que as pessoas percebam a presença deles e o que representam, o que fazem.
Gosto de olhos em geral. Bem dizem que são a janela da alma, dá para conhecer perfeitamente alguém através dos olhos. E ah, não adianta dizer que exista "olhar misterioso". Às vezes apenas não entendemos tudo o que se passa por trás deles, mas eles sempre dizem tudo. São tão expressivos. Alguns parecem estrelas, e eu adoro admirá-las, me perco dentro de alguns olhares.... É um paradoxo, mas preciso que entendam isso.... preciso que saibam que meus olhos guardam muito, agem muito.... mas nunca que os conheçam o bastante para saber quem está atrás deles. Não é fuga, talvez uma imparcialidade. Não é necessário me conhecer.
Observo os olhos das pessoas a fundo, mas rápido o suficiente para que os meus não sejam notados.
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