sábado, 18 de junho de 2011

Hoje estou pensando muito, e me impressionando mais ainda, com o quanto a vida é capaz de ser injusta. E há um aspecto em especial que tem tomado minha concentração de maneira quase desconfortável....
Talvez o melhor termo seja "inconveniente". Não. Deveria haver um termo que fizesse a junção de "inconveniente" com "injusto". A vida é inconvenientemente injusta.
Mudar é muito necessário, progredir constantemente é uma questão que defendo muito.... no entanto, é inaceitável que tenhamos de mudar certas características. É inaceitável que tenhamos de mudar traços que definem nossa personalidade, nossa identidade. Nossa essência. Principalmente se formos forçados a mudar algo que não pode ser modificado ou oprimido.... as conseqüências de tais atitudes são devastadoras. Mudar algo que não foi nossa escolha....
Artistas não escolhem nascer artistas. Um grande amigo disse-me, recente e sutilmente, que há uma diferença entre uma pessoa fazer arte e uma pessoa ser artista. Entretanto, se você nasceu artista, há, é claro, a opção de sufocar e desviar essa característica, o que lhe fará alguém infeliz em tempo integral.
Você pode ser alguém criativo e determinado a fazer arte. Ou você pode simplesmente não ser capaz de evitar isso. O que, freqüentemente, parece uma maldição.
Assim como não se opta por ter este ou aquele tipo de cabelo, determinadas cores de pele, diversas caracteristicas físicas, psicológicas ou mesmo sexuais, não se opta por ter a visão e percepção de realidade que um artista tem. Você não escolhe. Pode fingir que escolheu, mentir para si mesmo e perfeitamente permanecer nisso, calculando todos os passos, atitudes, gostos, comportamentos.... mas sua natureza estará sempre lá.
Concluindo, é muito injusto que sejamos forçados a mudar e forjar quem somos de fato apenas por um capricho alheio, ou pela falta de tolerância e capacidade de aceitação das pessoas. É injusto que alguém queira mudar quem eu nasci para ser apenas porque não lhe agrada.
Ainda não estou contente com o que expus aqui. Não consigo evitar algumas influências externas que tentam me desconcentar. Volto mais tarde.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Wish You Were Here


So, so you think you can tell
Heaven from hell
Blue skies from pain
Can you tell a green field
From a cold steel rail
A smile from a veil
Do you think you can tell?
Did they get you to trade
Your heroes for ghosts
Hot ashes for trees
Hot air for a cool breeze
Cold comfort for change
Did you exchange a walk on part in the war
For a lead role in a cage?

How I wish, how I wish you were here
We're just two lost souls swimming in a fishbow
Year after year
Running over the same old ground
What have we found?
The same old fears
Wish you were here....


Ela é freqüentemente executada num sentido errôneo em relação ao significado original. Mas para mim é exatamente o que foi feita para ser.

sábado, 9 de abril de 2011

Free to be.... free.... free to be.... me.


Talvez seja porque estou prestes a fazer 20 anos. Talvez sejam todas as mudanças às quais venho me submetendo. Talvez seja a desilusão que estas trouxeram.
Talvez sejam todos os fatores citados.
Mas tenho me conscientizado muito a respeito de vários fatos em minha vida, freqüentemente de maneira involuntária. Tenho notado o quanto sou ingênua, tola e condescendente. O quanto tenho aceitado que me tratem desta ou daquela maneira por defender um comportamento tolerante, pacífico e gentil. Sempre levei muito a sério as repreensões de minha família ou de professores e outras pessoas consideradas autoridades, e, devido a isso, desenvolvi um sentimento de culpa e autopunição absoluto. E passei a me odiar profundamente, com um vigoroso fanatismo. Fazia certas coisas que.... não sei nem o que pensar sobre isso.
Enfim, passei a me ver como uma pessoa nociva, insuportável, um fardo para a família e uma desgraça para o mundo. Sempre me senti muito culpada e ruim. E por isso, forcei o surgimento de um comportamento altruísta, amistoso e agradável. Alguém tão horrível como eu.... era o mínimo que poderia fazer para compensar a tortura que sou para os outros.
Mas um dia a ficha cai. Um dia você percebe o quanto, desde crianças, temos nosso comportamento e nossa personalidade corrompidos, forçados em determinadas direções.... o quanto nos privam de nossa espontaneidade, naturalidade....
Um dia você percebe que não é a pior pessoa do mundo. E que ninguém, de fato, se preocupa com você. Ninguém faz nada bom sem um interesse, uma segunda intenção. Um dia a natureza egoísta do ser humano se torna muito clara. A parte dolorosa é perceber o quanto você se destruiu (em vários aspectos de maneira aparentemente irreversível), o quanto se anulou, negou seu orgulho e seus pensamentos, pisou em seus próprios problemas e se fez de gentil para ajudar alguém. Por pura culpa, uma culpa que talvez não tenha motivos. Porque achava que sua presença na vida da pessoa era quase um castigo para ela, e que se você pudesse minimizar o estrago.... e por muitos anos.
A parte mais dolorosa é tentar corrigir e repensar tudo. É ver que, repentinamente, você pode não ser a pessoa que achou que fosse todo esse tempo. É tentar se reconstruir da maneira mais autêntica e fiel a quem você REALMENTE é. É começar a se conhecer novamente.
Porque um dia passa a ser necessário parar de dizer "me desculpe" e "sim" para os outros, ou "não" e "eu te odeio" para si mesma.
Um dia eu preciso aprender a dizer "sim" para mim.

É um pequeno, embora muito doloroso e sofrido, alívio.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Mas JÁ?

Cansei de me fingir de formal para mim mesma.

Chega a ser irritante a velocidade com que a vida me dá certas respostas. Embora eu já as tivesse, mas rejeitasse.

Tá tirando com a minha cara ou eu estou mesmo tão errada assim?
A questão não é "o que me falta", mas "não tenho outras opções?".

Pode até ser o que falta. Mas não é o que eu QUERO.

domingo, 23 de janeiro de 2011

But I got nowhere to fly to

Não sei o que há. Sei que me sinto sem personalidade, com meu estilo gravemente corrompido, mas sem deixar de ser a mesma de sempre.
A sensação indescritível de vazio que tem me dominado raramente me pareceu tão bem expressa visualmente: minha cabeça parece com tudo à minha volta e fora dela. A cama caoticamente bagunçada, a janela escancarada para permitir que o vento fresco da praia entre no ambiente, o forte calor, a luz do sol dourada (meio laranja, até) às 7 horas da noite, o gato e os livros espalhados pela cama, o album do Pink Floyd tocando muito alto, a cortina amarrada.... e eu largada na cama, como um cadáver. Imóvel, apenas pensando e sofrendo por isso.
Talvez me sinta corrompida por não me sentir como me sentiria normalmente. E me sinta a mesma pela sensação de que nada mudou (senão para a pior) e permanece exatamente igual ao que era quando eu tinha 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18 anos. E que permanecerá assim mesmo depois que eu completar 20.
É como se tudo voltasse exatamente ao mesmo ponto. Sempre olhando esse mesmo teto, pensando as mesmas coisas. Esperando que a vida comece, que um dia eu acorde e tudo esteja mudando.
Não, não muda.
A vida continuará sendo a eterna e persistente repetição do momento em que eu atraso o despertador mais alguns minutos.
Não me parece justo que eu me sinta assim agora, quando deveria me sentir completamente diferente.
Eu deveria estar muito contente. Minha mãe sempre me disse isso. Tenho uma vida muito boa, respiro ar puro e durmo ouvindo o som do mar, tenho a minha casa, tenho uma família, tenho oportunidades boas, estudei em excelentes escolas, nunca me faltou nada, e eu jamais precisei trabalhar para isso. Aliás, sempre me proibiram de trabalhar. Tenho bons discos, bons livros, boa saúde, paredes forradas de quadros meus, um violão bom, um cachorro bonito de coleira cor-de-rosa que posso levar para caminhar na praia, tenho ótimos amigos, tenho cultura e não falo apenas o idioma de meu país. Há comida na minha cozinha, energia nas minhas tomadas e água nas minhas torneiras. Tenho uma bicicleta confortável, com a qual atravesso a cidade quase inteira toda semana; tenho roupas para vestir, vários tipos de colares, brincos e anéis enormes, e também toda a maquiagem que poderia usar.
Conheço pessoas legais e importantes, que gostam de mim e me tratam bem. Tenho senso crítico e atitudes equilibradas. Não tenho vícios e minha alimentação é excelente. Tenho liberdade, aliás, de me alimentar da maneira que quiser; tenho belas árvores frutíferas em meu quintal, e todos os dias colho frutas frescas para meu suco do desjejum. Também tenho a liberdade de ter ou não um deus e uma crença, sem que alguém me censure por isso. Falo e escrevo com clareza, sei me expressar bem e me virar sozinha se precisar. E tenho com quem contar quando isso não for o bastante.
Só queria entender porque me sinto tão infeliz e cansada.

sábado, 15 de janeiro de 2011

This is ourselves under pressure

Dois dias consecutivos ouvindo todos os albuns do Queen. É sempre muito bom poder "voltar às origens" depois de meses sem ouvi-los.... mas agora as circunstâncias são totalmente outras.

.... A verdade é que, depois de todo esse tempo, e no meu estado de exaustão física, emocional e intelectual, ouvir as músicas da banda da minha vida é como se sentir aconchegantemente abraçado ao voltar para casa. Com a diferença de que eu já sei exatamente como é esse abraço tão aguardado e acolhedor. E agora ele está presente em cada voz, cada palavra, cada nota....

"But now you're facing complications
'Cos into every life a little rain must fall"
Ainda bem que tenho vocês para trazer "a little bit of sunshine to my life", não é?

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Uma das coisas mais legais sobre a vida é que, em vários aspectos, sejam eles reais ou virtuais, a gente sempre acha um botão "editar"....