quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Clausura, Exílio, Refúgio.


Após muito tempo de prisão, a gaiola torna-se um lugar confortável.
A liberdade vive no pequeno pássaro que está preso na gaiola, num apartamento do andar de cima. Ele só canta durante a madrugada. E, quando canta, ninguém é tão livre quanto ele.


P.S. do dia 10 de junho de 2011: Me ocorreu agora o significado e a representatividade do termo "ostracismo", aplicado não apenas a contextos históricos ou políticos, mas cotidianos. E também o quanto, de certa forma, essa postagem e suas respectivas metáforas (que apesar de serem metáforas, não são fictícias!) continuam extremamente pertinentes em diversos aspectos. Qual é meu problema?

domingo, 5 de setembro de 2010

V



"O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio."

Alberto Caeiro.

domingo, 15 de agosto de 2010

Take it as it comes


Porque existe a pessoa dos sonhos e existe a pessoa do real.
E, para mim, o Jim simboliza a pessoa do real. Por mais que a minha pessoa do real seja distante e irreal, ou que a minha pessoa dos sonhos seja real e próxima. Só que eu ainda estou muito dividida entre os dois mundos.... Embora hoje eu tenha acordado mais voltada para a realidade do que de costume....

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Hoje




"Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem, cada um como é."

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Ausência


Meu pai chegou por volta das seis da manhã em casa. Alguns minutos antes, havia me ligado: "Espere pelo pior". Entrou no quarto. "Pode levantar". "Por quê?"

Entrei na casa. Sobre a mesa de jantar, inúmeras caixas de remédio. Quatro de "tarja preta". Um copo com água pela metade, várias embalagens de remédio abertas, algumas sobre a mesa e outras espalhadas dentro de uma mala. Perto do microondas, uma revista desatualizada, cuja principal matéria era noticiada na capa: "O futuro que você vai viver". Tão irônica coincidência. Fui para o quarto, a cama desarrumada. Meu pai fazia os telefonemas, perto da mesa da cozinha. Minha mãe procurava na agenda dele os números de familiares que receberiam o telefonema.

A vida é uma coisa tão frágil, tão delicada. Escorrega pelas mãos da gente, como grãos de areia. Passa rápido e podemos acabar com ela tão fácil. E quando vai assim, inesperadamente, é um choque.... a tal da "ficha" não cai. E é muito doloroso.
Só me resta dizer o que nunca disse: Eu o adoro, vou morrer de saudades. O cara que fazia piadinhas nos enterros, na hora do jantar, que tinha uma bicicleta que ele pintou num azul ridículo, que me emprestava livros (principalmente o super Aurélio dele), que esclarecia minhas dúvidas sobre o cristianismo, a ditadura militar.... o cara de quem meu pai e eu herdamos o cabelo preto. O cara de quem herdei o hábito de ler, e que me deu meu primeiro livro na vida. Um cara que me ensinou MUITO, e que poderia ter ensinado ainda mais. Mas parece que ele concluiu que já era o bastante.

As palavras passam flutuando pela minha mente, e esse ar gelado de fim de outono parece fazê-las sumirem. A tranqüilidade não pode ser adquirida com remédios, o sono não pode vir com remédios. Mas eles podem tirá-las de nós. O que fica? A dor, a lembrança.... e a lição de que a vida pode sair voando com o vento frio de junho.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Going Back

"I think I’m going back....
To the things I learnt so well in my youth
I think I’m returning to
Those days when I was young enough to know the truth
Now there are no games
To only pass the time
No more colouring books
No christmas bells to chime
But thinking young and growing older is no sin
And I can’t play the game of life to win

I can recall a time
When I wasn’t ashamed to reach out to a friend
And now I think I’ve got
A lot more than just my toys to lend
Now there’s more to do
Than watch my sailboat glide
And every day can be
My magic carpet ride
And I can play hide and seek with my fears
And live my days instead of counting my years

Then everyone debates
The true reality
I’d rather see the world
The way it used to be
A little bit of freedom’s all we lack
So catch me if you can....
I’m going back...."

Tudo bem. Eu havia prometido a mim mesma, quando dei início a este bloco virtual de anotações muito reais, que não escreveria nada relacionado ao Queen. Afinal, eles já estão fortemente incrustados na minha mente e eu diria que até em meu sangue, além do título, do pseudônimo e do endereço desta página serem nomes de músicas deles. O problema é que essa canção meio que "caiu do céu", hoje, e tanto a letra quanto a versão que me encantou coincidiram com minha vida no momento, assim como as poucas músicas que já estão escritas aqui, sem contar que eu ando muito envolvida com eles, aquela coisa "cósmica" (só para combinar com o contexto) e que se tornou muito real. Hoje vivi e contei uma nostalgia muito doce, algo que me fez realmente bem.... algo que, assim como em uma canção do Queen me faz constatar que "the bad things in life were so few/these days are all gone now but some things remain/ when I look, and I find - no change".
E eu estou voltando, independentemente do que voltar signifique.

domingo, 18 de janeiro de 2009

O mundo é um moinho


"Ainda é cedo, amor....
Mal começaste a conhecer a vida,
Já anuncias a hora da partida,
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar....

Preste atenção, querida....
Embora eu saiba que estás resolvida,
Em cada esquina cai um pouco a tua vida,
Em pouco tempo não serás mais o que és....

Ouça-me bem, amor....
Preste atenção, o mundo é um moinho!
Vai triturar seus sonhos tão mesquinhos,
Vai reduzir as ilusões a pó....

Preste atenção, querida....
Em cada amor tu herdarás só o cinismo,
Quando notares estás à beira do abismo....
Abismo que cavastes com teus pés...."

(Cartola. Mas não há quem dê tanto significado a ela senão Cazuza.)